Neste artigo vamos falar de um tratamento que executamos na FertiMed: Inseminação Artificial.

A Inseminação Artificial ou IA é a primeira técnica que foi historicamente desenvolvida no campo da medicina reprodutiva. Foi realizada pela primeira vez em 1785, quando o cirurgião escocês John Hunter foi confrontado com um caso de infertilidade claramente causado por um problema de hipospadia (uma desordem nos ductos penianos que impede a ejaculação correcta) nos homens. Hunter decidiu obter uma amostra de esperma do homem que transferiu para a vagina da mulher tendo conseguido a sua gravidez e dando origem ao nascimento do primeiro bebé graças a uma técnica de reprodução assistida. 

Foi o início da Inseminação Artificial no mundo. O Dr. John Hunter viveu numa época em que os fundamentos da medicina estavam a ser criados, onde um médico praticante não podia deixar de ser um cientista a menos que não tivesse um pouco de curiosidade. De Hunter, cuja biografia o convidamos a ler (ver biografia), diz-se mesmo que a sua prática clínica e a sua casa em Londres inspiraram Stevenson quando escreveu “The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde”.

Como realizamos tratamentos de Inseminação Artificial na FertiMed Faro?

Para compreender a técnica, recomendamos que se lembre do processo reprodutivo descrito no nosso artigo anterior. Desta forma, compreenderemos que tipo de problemas esta técnica pode resolver. 

O tratamento de Inseminação Artificial consiste basicamente na colocação do esperma, previamente estudado e tratado, no local certo para produzir a fertilização dos óvulos de uma forma natural: o útero da mulher. 

Para tal, começamos com o estudo da mulher (no caso de uma mãe solteira ou receptora no caso de um projecto reprodutivo lésbico) e do homem (no caso de um casal heterossexual):

  • Estudo Andrológico
  • Estudo Ginecológico

Uma vez identificada a Inseminação Artificial como a técnica mais apropriada para resolver a disfunção reprodutiva ou simplesmente para obter a gravidez desejada, esperamos normalmente pelo terceiro dia do ciclo menstrual. A partir dessa altura, procedemos a uma estimulação controlada dos ovários graças à administração de hormonas que estimulam o crescimento dos folículos (as estruturas onde os óvulos se encontram nos ovários da mulher). Cada caso requer uma avaliação específica, adaptando a administração da hormona folículo-estimulante (FSH) às características de cada paciente. 

Realizamos um acompanhamento meticuloso do crescimento folicular através de três ou mais consultas nas quais é feito um estudo ecográfico durante os oito a dez dias em que ocorre a resposta ovárica avaliando a par e passo o crescimento folicular adequado.

Uma vez verificado que existem folículos maduros (com diâmetro de 18 a 20mm), é desencadeado o processo de ovulação, de forma controlada, mediante a administração da hormona  hCG (gonadotropina coriónica humana).  Após a administração de hCG a ovulação (libertação dos ovos pelos folículos) irá ocorrer cerca de 35 horas depois, e nessa altura realiza-se a inseminação. 

Duas a três horas antes da inseminação procedemos à obtenção de uma amostra de esperma do parceiro ou é preparada uma amostra de esperma de um doador, obtida previamente, que será utilizada para inseminar os óvulos cujo desenvolvimento e maturação acompanhámos. Esta amostra é preparada no laboratório FertiMed por um dos nossos biólogos especialistas em Andrologia. O objectivo desta preparação (capacitação) é garantir a qualidade dos espermatozóides a serem utilizados no tratamento de Inseminação Artificial.

Tudo está agora pronto para prosseguir com a inseminação, uma técnica que não requer o uso de analgésicos, nem o uso de anestesia, pois é indolor e o mais próximo possível do método de fertilização natural.

Para a realizar, seguimos os seguintes passos, verá que é muito semelhante a um simples exame ginecológico:

  • Posicionamento em marquesa e utilização de espéculo para visualização correcta do colo do útero.
  • Prosseguimos com a remoção adequada do muco cervical.
  • Carregamento da cânula com a amostra de esperma.
  • Introdução da cânula através do Orifício Cervical Externo
  • Libertação da preparação de esperma na cavidade uterina, para potenciar a inseminação dos óvulos.

Em seguida, a paciente deve permanecer deitada durante cerca de 15 minutos.

Ao fim de 14 dias realiza-se um testes de gravidez.

Para que tipo de pacientes é indicada a Inseminação Artificial como técnica de reprodução assistida e que taxas de sucesso costuma oferecer?

Em muitas publicações encontarará informação sobre as taxas de sucesso da Inseminação Artificial. Ao fazê-lo, verá que oferece taxas de sucesso relativamente baixas, entre 10 e 20%. Como acontece com quase tudo na medicina reprodutiva, estas taxas são relativas. Tudo depende do estudo de diagnóstico e  história clínica . Por exemplo, no caso de casais heterossexuais, quando encontramos casos claros como os que se seguem:

Esterilidade masculina.

  • Baixa concentração de espermatozóides.
  • Anomalias morfológicas dos espermatozóides.
  • Baixa motilidade dos espermatozóides.

Esterilidade feminina

  • Factor cervical (problemas anatómicos e funcionais do colo do útero)
  • Endometriose ligeira (crescimento inadequado do tecido endometrial fora do útero)
  • Disfunções ovulatórias
  • Existência de anticorpos anti-espermatozóides 

Nestes casos, quando o diagnóstico é claro e a idade da mulher não excede os 35-37 anos, as taxas de sucesso são muito mais elevadas, sendo o tratamento da Inseminação Artificial o recomendado. 

Inseminação artificial em casos de maternidade solteira e mães lésbicas.

Uma das muitas razões pelas quais me orgulho da minha profissão como ginecologista especializado em medicina reprodutiva na FertiMed, é porque posso oferecer hoje opções de maternidade que ontem eram impossíveis. A seguir veremos o papel que a Inseminação Artificial desempenha para permitir que as mulheres solteiras se tornem mães e que os casais de mulheres também tenham filhos.

Inseminação Artificial e Maternidade Solteira.

Nos casos em que nenhuma disfunção reprodutiva é identificada após o correspondente estudo diagnóstico da fertilidade e em que a mulher tenha menos de 37 anos de idade, a Inseminação Artificial apresenta-se como a técnica reprodutiva mais apropriada para conseguir uma gravidez sem parceiro devido à sua simplicidade (é mesmo possível considerar a inseminação artificial sem estimulação, seguindo o processo natural de ovulação), ao baixo nível de intervenção e ao custo.

Neste procedimento é necessário utilizar células reprodutivas masculinas (esperma) de doadores. 

Inseminação artificial e projecto reprodutivo de mulheres lésbicas.

Neste caso, o casal deve concordar qual das duas será a beneficiária da inseminação. Da mesma forma que no caso anterior, a Inseminação Artificial é o tratamento ideal quando a idade da futura grávida é inferior a 37 anos, e não são identificadas disfunções reprodutivas.  

Em ambos os casos, é utilizado esperma de um doador.

No início do artigo comentei que a Inseminação Artificial é uma técnica que adoramos realizar na FertiMed. Acho que por esta altura já sabem porquê. É um método simples e indolor. É uma técnica que permite resolver de uma forma simples e muito acessível os problemas de fertilidade. E é uma técnica que permite às mulheres tornarem-se mães sem a necessidade de ter um parceiro masculino. 

Se desejar ser mãe ou pai e não o conseguir naturalmente, não hesite, peça-nos uma consulta sem custos ou compromisso para avaliar o seu caso e mostrar-lhe a melhor forma possível de fertilidade. 

Dr. Ignacio Salas